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joao-paulo-pires-autor

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18
Dez23

ESTADO DE SAÚDE DOS PORTUGUESES

A prevenção da doença, as causas de morte e a sustentabilidade do serviço nacional de saúde

João Pires autor

ESTADO DE SAÚDE DOS PORTUGUESES

A prevenção da doença, as causas de morte e a sustentabilidade do serviço nacional de saúde

6 minutos de leitura

No outro dia, lá em casa, discutia-se se um fumador compulsivo que gasta uma pequena fortuna em cigarros se deve ter direito ao tratamento gratuito no Serviço Nacional de Saúde. Além de degradar a sua própria saúde e apesar dos avisos nos próprios maços de tabaco - «Fumar mata» - vai causar agravamento da despesa nacional em saúde.  Em Portugal, quem consumir um maço por dia gastará 1.825 euros num ano, o que equivale a 18% da média anual do rendimento líquido.

Uma outra questão com a qual sou confrontado regularmente é que sempre que tomo uma atitude mais saudável em relação à alimentação, por exemplo, evito fritos, bebo bebidas alcoólicas moderadamente e por vezes bebo simplesmente água, perguntam-me:

- Queres morrer saudável?

Claro que quero morrer saudável e não precisa de ser por causa externa de morte (por ex. acidente). Curiosamente neste relatório as mortes naturais, são consideradas as mortes motivadas por doença.

 

Depois destas questões fui tentar perceber quais as doenças que matam em Portugal, através da consulta do relatório Estatísticas da Saúde 2021 do Instituto Nacional de Estatística.

 

A minha questão é saber como se pode canalizar a despesa associada ao tabaco, álcool, drogas e outros para a prevenção da doença.

 

Para tal tive presente que:  

Estado de saúde: perfil de saúde de um indivíduo ou população que é objectivável através de um conjunto organizado de indicadores.

Hospital: estabelecimento de saúde que presta cuidados de saúde curativos e de reabilitação em internamento e ambulatório, podendo colaborar na prevenção da doença, no ensino e na investigação científica.

Anos de vida saudável: número médio de anos que se espera que um indivíduo de determinada idade venha a viver sem limitações de longa duração para realizar actividades consideradas habituais para a generalidade das pessoas, no pressuposto que se mantém inalterado o padrão de mortalidade observado no período de referência.

Doença crónica: doença previsivelmente permanente que necessita de intervenção médica para o seu acompanhamento e controlo.

Causa básica de morte: doença ou lesão que inicia a cadeia de acontecimentos patológicos que conduzem à morte, ou circunstâncias do acidente ou ato de violência que produzem a lesão fatal.

Causa externa de morte: factor externo responsável pelo estado patológico causador do óbito, nomeadamente acidente, lesão auto provocada intencionalmente, agressão ou outro.

Depois de ter presente estes conceitos e de acordo com o relatório Estatísticas da Saúde 2021 em Portugal, considerando apenas os óbitos de residentes em Portugal (123 396), as mortes naturais, ou seja, as motivadas por doença, representaram 95,8% do total (123 396 óbitos), enquanto a proporção de mortes não naturais (acidentes, suicídios, homicídios, catástrofes naturais, etc.) foi de 4,2%.

Causas de morte

As doenças do aparelho circulatório e os tumores malignos continuaram em 2020 a ser as duas principais causas básicas de morte em Portugal, seguidas de doenças do aparelho respiratório e doenças cérebro-vascular.

Em 2020, no país morreu-se principalmente devido a doenças do aparelho circulatório, com 34.593 óbitos. Em 2020, os tumores malignos foram a segunda principal causa básica de morte no país, com 28.393 óbitos.

Despesa corrente em saúde e Produto Interno Bruto (PIB)

De acordo com os resultados da conta satélite da saúde, em 2019 a despesa corrente em saúde atingiu 20.395,2 milhões de euros, correspondendo a 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Gostaria que uma boa parte desta despesa fosse transferida para a medicina preventiva, pois a prazo, haveria uma redução com os custos na saúde.

Despesa corrente pública e privada

A despesa corrente pública representou, em 2019, 63,6% da despesa corrente. Em 2020, a importância relativa da despesa corrente pública aumentou, atingindo os 66,8%. Por aqui se conclui que o Serviço Nacional de Saúde continua a ter um papel importante na saúde dos portugueses, razão também para atrair residentes estrangeiros aposentados, devido à qualidade do SNS, comparado com o seu país de origem.

Mas como se pode fazer a prevenção da doença?

A prevenção da doença baseia-se numa série de medidas que visam evitar o surgimento ou o avanço de doenças. Essas medidas incluem:

  1. Vacinação: A vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenção das doenças. As vacinas são administradas para estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos contra determinados agentes patogénicos, tornando a pessoa imunizada, portanto menos susceptível a contrair a doença.
  2. Higiene pessoal: Uma boa higiene pessoal, incluindo a lavagem frequente das mãos com água e sabão, antes das refeições e após utilizar a casa de banho, é fundamental para prevenir a transmissão de germes e infecções.
  3. Alimentação saudável: Uma dieta equilibrada e rica em nutrientes fortalece o sistema imunológico, tornando o organismo mais resistente a doenças. É importante evitar alimentos industrializados, processados e de «pacote» e dar prioridade ao consumo de frutas, legumes, grãos integrais e proteínas magras.
  4. Prática de exercícios físicos: A atividade física regular fortalece o sistema imunológico, diminuindo o risco de desenvolvimento de doenças. Além disso, auxilia na manutenção do peso adequado e melhora o funcionamento do organismo em geral.
  5. Controlo da ansiedade: A ansiedade crónica afecta negativamente o sistema imunológico, deixando o organismo mais susceptível a doenças. Praticar técnicas de relaxamento, como meditação, yoga ou exercícios de respiração, podem ajudar a controlar a ansiedade e fortalecer a saúde.
  6. Evitar o tabagismo: O cigarro é responsável por diversas doenças, como cancro do pulmão, doenças cardiovasculares e respiratórias, as principais causas de morte atrás citadas. Parar de fumar ou evitar o contacto com a fumaça do cigarro é essencial para prevenir essas enfermidades.
  7. Protecção solar: A exposição excessiva ao sol pode causar danos à pele e aumentar o risco de cancro da pele. É importante usar protetor solar diariamente, vestir roupas de proteção e evitar a exposição directa ao sol nos horários de maior intensidade.
  8. Consultas médicas regulares: Realizar consultas de rotina com profissionais de saúde é importante para a prevenção de doenças (medicina preventiva atrás referida). Exames de rotina podem identificar precocemente alterações no organismo, permitindo um diagnóstico e tratamento mais eficaz.
  9. Uso correcto de medicamentos: Seguir corretamente as prescrições médicas e não fazer automedicação são essenciais para evitar reações adversas e complicações.
  10. Educação e consciencialização: Informar-se sobre os principais fatores de risco e doenças é fundamental para adoptar um estilo de vida saudável e prevenir problemas de saúde. Estar ciente dos sinais e sintomas das doenças também permite que o indivíduo procure ajuda médica o mais cedo possível.

É importante lembrar que a prevenção da doença é tanto individual quanto coletiva. As medidas de prevenção devem ser adoptadas por todos, visando a protecção da saúde pública e o bem-estar de cada indivíduo.

Publicado originalmente em: https://www.luso.eu/content_page/actualidade/opiniao/estado-de-saude-dos-portugueses.html

 

12-dez-2023

João Pires

14
Dez23

NÃO PERCEBO NADA DISSO

Portugueses: de mestres do desenrascanço até à ignorância das coisas

João Pires autor

4 minutos de leitura

Olhando para o passado, percebo que me fui libertando daquelas coisas que me chateavam, irritavam profundamente. Naquele tempo não aceitava que as pessoas pudessem ser diferentes face a uma realidade só, cada uma tem a sua própria opinião e que cada um vai fazendo o seu caminho, na aprendizagem, na evolução, no amadurecimento das ideias e na forma como veem o mundo.

Dizem que é da idade. À medida que vou ficando mais velho, comecei a abrandar o ritmo das ideias, mas deu-me espaço para as amadurecer de forma mais pensada.

Não sei se te acontece o mesmo, mas agora não me deixo abater com uma qualquer ideia estapafúrdia que choca com os meus princípios.

Os princípios, esses, foram também mudando ao longo da vida, pois se antes gostava do verde, agora gosto do azul. A vida é mesmo assim, que ninguém diga que é fiel à mesma cor desde que nas até que morre, que isso de fidelidade nada vale. Mais importante é perceber se tu realmente gostas da mesma cor durante toda a vida ou se és escravo dessa cor apenas para dizer que és firme nas tuas convicções.

Voltando ao tema que me traz hoje aqui, a alergia a certas convicções, ignorâncias e crenças que me deixam furioso. Bem, deixavam no passado.

Desde há uns anos atrás que passou a correr a moda em responder a tudo o que mexesse e não interessasse: «não percebo nada disso». Bem, aquele tipo de resposta deixou-me confuso num primeiro momento e depois passou a incomodar muito mais. Percebi que era uma simples forma de descartar sobre qualquer tarefa ou trabalho que não interessasse. Aquilo deixava-me furioso, mas felizmente esse tempo já passou e agora não passo cartão nenhum.

 

Portugueses mestres no desenrascanço

Essa expressão é usada para descrever a capacidade de encontrar soluções criativas e improvisadas para resolver problemas ou lidar com situações difíceis. Somos conhecidos por encontrar soluções simples e eficazes, muitas vezes com recursos limitados.

Mas a dúvida instala-se.

Se os portugueses são mestres no desenrascanço e até já foram objecto de estudo, porque é que agora dizem «não percebo nada disso»?

De facto, cultura do «desenrascanço» é um padrão que pode tornar-se preocupante nas empresas. Sabemos improvisar como ninguém, mas nas empresas isto pode significar baixa produtividade. Com uma planificação adequada, toda a gente trabalharia com mais calma, mais segurança, eficiência e menos stress.

Mas devido ao seu espírito empreendedor e à sua capacidade de se adaptarem a diferentes circunstâncias, pode tornar-se numa qualidade.

 

A razão do sucesso dos emigrantes portugueses

Quando os portugueses emigram, vão com vontade de trabalhar e acumular poupança ou simplesmente viver no país de acolhimento sem pensar em regressar definitivamente a Portugal. A capacidade de gestão e organização das empresas fora de Portugal parece ser mais elevada contribuindo para uma maior produtividade. Os emigrantes portugueses sob gestão das empresas de acolhimento parecem tornar-se mais produtivos. E nessas empresas até podem estar portugueses no topo da gestão. Nessas empresas de acolhimento parece não existir a palavra «desenrascanço», nem mesmo com portugueses a liderar ou a trabalhar noutras funções. (https://www.luso.eu/colunistas/cronicas/portugal-pais-de-imigrantes.html)

 

Da arte do desenrascanço até ao «não percebo nada disso»

De facto, parece que passamos de um extremo ao outro. Antes éramos polivalentes e resolvíamos tudo, mas agora tornamo-nos em especialistas de qualquer coisa e tudo o resto vai bem com um «não percebo nada disso».

Será que não existe um meio-termo?

Por exemplo:

cumprir todas as regras no mundo profissional e desenrascar um tubo rompido ou um fio elétrico descarnado lá em casa. Ou até desenrascar na cozinha com a criação de pratos deliciosos a partir de ingredientes simples.

Conselho: se fores um total aselha com tudo onde tocas, então fica-te pelo «não percebo nada disso».

Eu já não me chateio com um «não percebo nada disso» e fico rendido ao mestre do desenrascanço, mesmo sabendo que possa não ser uma solução definitiva.

11-dez-2023

João Pires

 

Publicado originalmente em: https://www.luso.eu/colunistas/opiniao/nao-percebo-nada-disso.html

 

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