A Unidade da Língua Portuguesa: Um Elo Histórico e um Futuro Partilhado com a Galiza
A Galiza na Lusofonia: Um Regresso às Origens e um Compromisso com o Futuro da Nossa Língua Comum
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A Unidade da Língua Portuguesa: Um Elo Histórico e um Futuro Partilhado com a Galiza
**Por João Pires autor**
16 de julho de 2025
Há muito que o debate sobre a **unidade da língua portuguesa** transcendeu as fronteiras geográficas e políticas. Hoje, 16 de julho de 2025, a importância de reconhecer a Galiza como parte integrante do universo lusófono não é apenas uma questão académica, mas um imperativo cultural e estratégico. A Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com os seus estatutos claros e ambiciosos, é um pilar fundamental nesta visão, defendendo o que a história e a linguística há muito nos contam: a língua portuguesa estende-se, de facto, até à Galiza.
Não é novidade para os especialistas que a nossa língua, o português, tem as suas raízes profundas no **galego-português**, idioma que floresceu no antigo Reino da Galiza e no norte de Portugal. Foi nessa faixa ocidental da Península Ibérica, estendendo-se desde o rio Tambre até ao Douro, que a língua que hoje falamos se formou e se desenvolveu. A posterior reconquista do território para sul apenas consolidou a sua expansão, dando origem ao que hoje conhecemos como Portugal. Há, portanto, um **elevado consenso** sobre o território preciso onde a nossa língua se moldou.
Os objetivos da Associação Cultural Pró-Academia Galega da Língua Portuguesa, espelhados nos estatutos da AGLP, são um testemunho vivo desta realidade. A defesa da unidade da língua portuguesa, o seu ensino, aprendizagem, uso correto e naturalização na Galiza são pilares essenciais. Isto não se trata de uma imposição, mas de um reconhecimento. Reconhecer que a língua galega, em toda a sua riqueza, é intrinsecamente ligada ao português, partilhando uma mesma raiz e, mais importante, a possibilidade de um futuro comum.
Impulsionar o **aproximar e facilitar o intercâmbio cultural da Galiza com o conjunto da Lusofonia** é uma das suas missões mais nobres. Estes laços históricos e culturais, muitas vezes esquecidos ou subvalorizados, são uma ponte para uma maior valorização mútua. Promover o estudo da língua da Galiza, de forma que a sua normalização seja congruente com os usos que vigoram no conjunto da Lusofonia, é garantir que a diversidade não impeça a coesão. Significa que a Galiza tem um papel vital a desempenhar na promoção e difusão do conhecimento recíproco entre todas as comunidades lusófonas, incluindo as coletividades emigradas.
Quando a AGLP afirma que a sua língua é o **Português, língua da Galiza**, não está a fazer uma declaração política, mas a assentar um facto linguístico e histórico. Ao assessorar e propor iniciativas aos poderes públicos e outras instituições, a Academia procura implementar o português nos territórios e comunidades da Lusofonia, fomentando ativamente estas relações.
Em 2025, num mundo cada vez mais interligado, a **língua é um ativo valioso**. Reconhecer e fortalecer a unidade da língua portuguesa, abraçando a sua dimensão galega, não é diminuir identidades, mas sim enriquecer o nosso património linguístico e cultural coletivo. É abrir portas para novas oportunidades, seja no ensino, na cultura, na economia ou na diplomacia. A Galiza, ao afirmar-se como parte integrante da lusofonia, não só reafirma as suas raízes, como projeta um futuro mais vibrante para a nossa língua comum.
