Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

joao-paulo-pires-autor

joao-paulo-pires-autor

30
Ago24

Intolerância

A psicologia do ódio

João Pires autor

A intolerância é frequentemente alimentada pela psicologia do ódio, onde emoções negativas como desconfiança, raiva e medo geram divisões entre culturas e crenças. Essa intolerância resulta da ignorância e de visões restritas do mundo, levando a ações de opressão e desumanizantes. Exemplos históricos, como os Julgamentos das Bruxas e o Holocausto, demonstram como o preconceito racial e a falta de compreensão podem provocar sérios danos. Com empatia e compreensão, podemos abordar as raízes do ódio, adotando uma postura mais proativa para mitigar esses comportamentos prejudiciais.

29
Ago24

Quatro em Cada Dez Concelhos em Portugal Ganharam Crianças

Análise revela crescimento histórico de nascimentos

João Pires autor

Uma análise dos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que quatro em cada dez concelhos em Portugal registaram um aumento no número de crianças com menos de 15 anos, totalizando 2.296 novos nascimentos entre 2022 e 2023. Este aumento, o primeiro em mais de duas décadas, é especialmente relevante considerando a significativa diminuição da população infantil nos últimos dez anos, com uma perda de quase 170 mil crianças.

demografia-nascimentos-portugal.JPG

 

Os concelhos de Odivelas, Porto e Lisboa destacam-se como os principais responsáveis por esse crescimento, enquanto áreas como a ilha do Corvo enfrentam desafios demográficos. Especialistas atribuem este aumento à implementação de políticas de incentivo à natalidade e a condições mais favoráveis para as famílias.

 

Apesar dessa evolução positiva, Portugal enfrenta um problema com o envelhecimento da população, com 44% dos cidadãos acima dos 65 anos. A análise sublinha a importância de políticas públicas que assegurem o bem-estar das novas gerações, abrangendo áreas como saúde, educação e habitação. O crescimento no número de crianças, embora encorajador, ainda requer acompanhamento e medidas contínuas para garantir um futuro sustentável para o país.

27
Ago24

Detenção de Pavel Durov, CEO da Telegram, em França

Pavel Durov foi detido no Aeroporto de Bourget, perto de Paris

João Pires autor

🚨 Detenção de Pavel Durov, CEO da Telegram, em França 🚨

Capturar.JPG

 

No sábado à noite, Pavel Durov foi detido no Aeroporto de Bourget, perto de Paris, no âmbito de uma investigação sobre o uso da Telegram para atividades criminosas, como lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Durov, co-fundador da aplicação e com uma fortuna de 15 mil milhões de dólares, está sob investigação pelos serviços de cibercrime franceses. Elon Musk e Edward Snowden defenderam Durov, alertando para os riscos à liberdade de expressão. O Presidente Emmanuel Macron afirmou que a detenção não é política. O futuro da Telegram e do Toncoin agora estão em questão. #PavelDurov #Telegram #LiberdadeDeExpressao

15
Ago24

O UNITARISMO, A UNIDADE UTÓPICA E A UNIDADE DE ACÇÃO (1977)

O texto discute a importância da pluralidade e da democracia no sindicalismo português, criticando o

João Pires autor

pluralidade_democracia_sindicalismo_portugues_unit

Resumo:

O texto discute a importância da pluralidade e da democracia no sindicalismo português, criticando o unitarismo defendido pela Intersindical e a tentativa de criar uma central sindical única e hegemónica. O autor argumenta que a pluralidade é necessária para permitir a expressão de diferentes opiniões e ideologias, e que a Intersindical está comprometida com a repressão da dissidência e da oposição.

 

O autor também critica a ideia de uma "unidade orgânica" defendida pela Intersindical, que consiste em estabelecer uma estrutura sindical unitária que ignore as diferenças entre os sindicatos e as ideologias dos trabalhadores. Em vez disso, o autor defende a criação de uma confederação sindical que reconheça e respeite a pluralidade das tendências sindicais e permita a expressão de diferentes opiniões.

 

O autor também destaca a necessidade de unidade de acção entre os trabalhadores, que pode ser alcançada apenas mediante a solidariedade e a cooperação entre as diferentes tendências sindicais. Ele critica a tática da Intersindical de criar listas unitárias para candidatos a direções sindicais, que serve apenas para reprimir a oposição e manter o controlo sobre os sindicatos.

 

Em resumo, o texto defende a importância da pluralidade, democracia e unidade de acção no sindicalismo português, criticando o unitarismo e a tentativa de criar uma central sindical única e hegemónica.

 

Texto completo:

Novos slogans surgem no seio do Movimento Sindical Português.

 

Mais uma vez urge que os Trabalhadores se apercebam do que tudo isso significa para que não calam na teia em que, através de falsas intenções, os pretendem envolver.

 

O UNITARISMO surgido nos últimos tempos, segue-se ao procedimento adoptado pela Intersindical após ter consolidado a hegemonia IDEOLÓGICA-SINDICAL, inerente à sua prática orientadora, com a realização do seu 2.° Congresso.

 

Esse procedimento tem-se caracterizado pela apresentação, com o rótulo de «UNITARIAS», de listas candidatas aos Corpos Gerentes de Sindicatos, numa tentativa nítida de fazer crer na existência de uma UNIDADE DEMOCRÁTICA no seio da Intersindical e do Movimento Sindical Português em geral.

 

Efectivamente, esse unitarismo ideologicamente hegemónico é uma falsa realidade, porque rejeita, à partida, as ideologias contrárias aos seus princípios.

 

Esse facto é comprovado pelos próprios estatutos da Intersindical e, inclusive, pela fraseologia demagógica em prol de uma unidade única.

 

Ao não permitir a existência, no seu seio de organismos autónomos, «por falsearem as regras da democracia ou conduzirem à divisão dos Trabalhadores» (SIC), está, aquela Central Sindical, bem como toda a estrutura a si veiculada, a rejeitar o exercício do direito de tendência.

 

Contrariando esta premissa, é defendida a teoria de uma «UNIDADE ORGÂNICA, proveniente do conceito de uma «Democracia» dirigista, porque determinada a servir uma opção, com a fraseologia dos números em termos de representatividade.

 

O UNITARISMO, por conseguinte, pretende ser a máscara encobridora da pluraridade necessária à discussão democrática das questões de Interesse geral.

Efectivamente, se o conceito de «UNIDADE ORGÂNICA» conseguir ser reforçado com o tal número de Sindicatos que lhe dá maior representatividade, só restará, aqueles que PENSAM E ENTENDEM de forma diferente encontrar maneiras novas de fazerem ouvir a sua voz.

Com o UNTARISMO, a Inter abafará dentro da estrutura sindical actualmente existente, todos aqueles que contestam a sua acção e prática.

 

A Democracia Sindical sairá, pois, ultrajada, mais uma vez, para surgir, em sua substituição, uma central, sindical única, ideologicamente hegemónica, com fachada de democrática e, como tal, representatividade de todos os Trabalhadores portugueses.

 

As vozes contestatárias serão abafadas, porque, os Trabalhadores acabaram por cair no logro, de considerarem as LISTAS UNITARIAS representativas de todas as opções ideológicas, e como tal, utilizadas para reforçar os interesses que a Inter defende e os objectivos que preconiza, devido a que, aqueles que forem colocados nas Direcções dos seus Sindicatos se limitarão a subjugar as suas opções e a impor, e divulgar, aquelas que entendem como inseridas na estratégia que mais convém à Intersindical.

 

Concluir-se-á que, o UNITARISMO preconizado pela Inter, não pretende solucionar os problemas do Movimento Sindical Português, antes, pretende, isso sim, solucionar os daquela central.

 

E PORQUÊ?

 

Porque o Sindicalismo não é uma coisa abstracta nem passiva.

Porque o Sindicalismo obriga a uma dinâmica que ultrapassa os próprios parâmetros do país a que pertence.

Porque a Intersindical, como única central, sindical portuguesa, necessita de ser admitida internacionalmente numa Europa democrática.

 

Este UNITARISMO vem, pois, nem mais nem menos, tentar ofuscar e dissipar, do Movimento Sindical Português. a imagem de conluio com interesses partidários antagónicos à Democracia, que tem sido dada pela Inter.

 

Esquece-se, porém, que a estrutura da Inter, continua a ser uma estrutura fechada, dirigista e ideológica, pelo que, não pode nunca ser DEMOCRÁTICA e UNITÁRIA.

 

Comprovativo de tal facto, temos que, substituindo uma verticalização necessária à existência de Sindicatos fortes por ramo de actividade, se verifica uma cada vez maior proliferação de Sindicatos, alguns, inclusive, surgidos na sequência das «vitórias» das tais listas unitárias, «promovidas», estrategicamente pela Intersindical,

 

Com esta actuação, a Inter, evita, de facto, o aparecimento de Sindicatos contestatários, e integra, no seu seio, toda a estrutura sindical, aproveitando, inclusive, todo o aparelho administrativo, financeiro e económico dos Sindicatos existentes.

 

Não é em vão que, das primeiras resoluções assumidas por essas Listas Unitárias, após o seu acto de posse, se destaca a de pagar as QUOTAS À INTER, independentemente da situação financeira do Sindicato que irão gerir. Quotas essas que, em alguns casos, os Trabalhadores tinham decidido deixar de pagar o que, implicitamente, obrigava a Inter a assumir a posição de demitir o Sindicato de seu filiado o que, nunca foi feito pois, como se verifica, «há sempre tempo», é só «pôr» lá uma Direcção afecta à sua ideologia, e o «dinheiro» lá vai parar sem que os Trabalhadores interessados se apercebam.

 

Com efeitos semelhantes, ao UNITARISMO, temos a UNIDADE UTÓPICA qual se pauta pelos mesmos princípios de UNIDADE ORGANICA defendidos pela Inter, porque é entendida numa acção dentro daquela Central.

 

A UNIDADE UTÓPICA é consubstanciada numa acção sindical passiva, porque se limita à luta pela democracia sindical no seio da estrutura da Intersindical.

 

Luta essa que, só pode ser desorganizada, porque inserida na discussão fechada dos problemas que respeitam a todos os Trabalhadores.

 

A única «Tendência» que tem direito a colocar as suas posições é «a do Secretariado» já que, na discussão, os pontos de vista que poderiam ser diferentes, сaem como uma gota no Oceano da classe que expressa nos dirigentes sindicais presentes, seguidores daquela linha de orientação, que se limitam a ir ali ouvir as instruções do Secretariado para, depois agirem de harmonia nos seus Sindicatos.

 

Lutar por democratizar a Inter, dentro da sua estrutura é, pois, utópico.

 

Dizer que isso é defender a Unidade, além do utópico, é demagógico.

 

Esta UNIDADE, pois, é praticada sem audição nos Trabalhadores, os quais são os únicos interessados em saber como poderão ser atingidos os seus objectivos e defendidos os seus interesses.

 

Esta «UNIDADE», só dá força à Inter, e à sua política sectária, permitindo-lhe até afirmar que, no seu seio, todos podem expor livremente os seus pontos de vista, e discutir os assuntos com pluralidade e que ela é uma «CENTRAL DEMOCRATICA».

 

Fácil é concluir que, com este sistema, tudo ficará na mesma, nada se modificará, e os Trabalhadores continuarão a ser utilizados como números para dar expressão às posições da Intersindical. Diferente de tudo o exposto temos, UNIDADE DE ACÇÃO.

 

A divisão entre os Trabalhadores é um facto real, porque existe.

 

Como supera-la é, também, obrigação que cabe a quem tem por missão defender os seus interesses.

 

O conceito de UNIDADE DE ACÇÃO nasce, precisamente, da diversidade existente no seio dos trabalhadores.

 

Sendo a Intersindical, uma Central Sindical que pauta a sua acção mediante uma opção Ideológica clara, não poderá, só por ela, tentar ou pretender, praticar a UNIDADE DE ACÇÃO. Tal princípio e contrário à UNIDADE ORGÂNICA defendida por aquela Central, apesar de preconizar a existência de uma única Central Sindical como objectivo máximo a concretizar, mas, como será evidente, nascida da UNIDADE DEMOCRÁTICA construída na pluralidade de conceitos numa acção comum.

 

Para que existisse uma única Central Sindical no Movimento Sindical Português, que congregasse no seu seio todos os Trabalhadores, seria necessário, de facto, criar-se essa Central.

 

Digo criar-se, porque considero a Inter representante de uma prática sindical revolucionária, com cariz ideológico vincadamente leninista e, como tal, expressão de uma Tendência organizada no seio do Movimento Sindical Português o que poderá, até, subdividir-se.

 

Existindo, como existe, a Inter, a sendo ela, como é, a única Central institucionalizada, e defendendo, como defende, a UNIDADE ORGANICA, deveria realizar-se um Congresso Sindical em que se aprovassem Estatutos novos para uma Confederação onde se consagrasse a existência de Tendências organizadas dentro da sua estrutura, pois, só assim seria possível encontrar a UNIDADE num mecanismo estrutural capaz de concretizar uma UNIDADE DEMOCRATICA representativa dos interesses de todos os Trabalhadores.

 

Certo é que a Inter não aceita esse desafio, porque os seus mentores receiam perder o domínio da Central Sindical.

 

Como o sistema da Inter aponta, clara e descaradamente, para a existência de OUTRAS CENTRAIS, haverá que encontrar formas de organização das Tendências existentes no Movimento Sindical Português de modo a poderem ter audição junto dos Trabalhadores.

 

Essas Tendências, de cariz ideológico variado, organizadas, cada uma de per si, terão capacidade para alcançar, entre si, a UNIDADE DE ACÇÃO, visto que será através da solidariedade entre os Trabalhadores que, nos momentos exactos, ultrapassarão as divergências da prática político-sindical.

 

Independentemente dessa acção solidária, cada Tendência terá oportunidade de expor as suas posições sobre as mais variadas matérias de forma a levarem, aos Trabalhadores, as suas diversas opções para, através da discussão democrática, estabelecerem um consenso sobre a acção a desenvolver.

 

Concretamente, a UNIDADE DE ACÇÃO, permite que os Trabalhadores, mesmo organizados em estruturas diferentes, possam desencadear acções comuns quando, fazendo alarde do seu espírito de solidariedade, se unem para lutar contra tudo o que possa contrariar os seus objectivos libertadores.

 

Os Trabalhadores Portugueses estão divididos em conceitos Ideológicos, devido à acção desenvolvida por quem se apoderou do domínio da Central Sindical que lhes foi imposta. Urge, pois, que haja coragem para, realisticamente se assumirem as responsabilidades necessárias a unir ideologicamente os Trabalhadores em estruturas que façam eco da sua vontade, para, na acção de poder vir a encontrar, democraticamente, a UNIDADE que tanto carecem.

 

FERNANDO CAPITÃO

 

fonte: págs. 4, 6 n.º 33, Nova Série OUTUBRO / NOVEMBRO / DEZEMBRO / 77, Boletim do Sindicato dos Bancários do Norte, A Nortada

09
Ago24

Os consumidores com mais conhecimentos financeiros ajustam menos os seus planos de consumo perante as expetativas de inflação

A importância da literacia financeira

João Pires autor

Nos dias de hoje, onde a incerteza económica é uma constante, a literacia financeira tem vindo a assumir um papel crucial na forma como os consumidores gerem as suas finanças. Um recente estudo publicado pela Revista de Estudos Económicos do Banco de Portugal revelou uma correlação significativa entre o conhecimento financeiro e a capacidade dos consumidores de ajustar os seus planos de consumo em resposta às expetativas de inflação.

literacia financeira

3 minutos de leitura

 

Os consumidores que possuem uma maior compreensão dos conceitos financeiros tendem a ser menos reativos quando confrontados com as oscilações das expetativas de inflação. Esta descoberta é particularmente relevante, uma vez que a inflação tem um impacto direto no poder de compra e nas decisões de consumo. Enquanto muitos consumidores podem fazer ajustes rápidos nas suas despesas face a previsões de aumento de preços, aqueles com uma sólida formação financeira são mais propensos a analisar a situação de forma mais calma e estratégica.

 

Um inquérito realizado a nível europeu revelou que os indivíduos com um conhecimento mais profundo sobre finanças pessoais estão mais bem preparados para lidar com a incerteza económica, conseguindo assim tomar decisões orientadas e fundamentadas. Esta capacidade permite-lhes evitar decisões impulsivas que podem levar a dificuldades financeiras a longo prazo, como o endividamento excessivo.

 

A literacia financeira não se limita apenas à gestão do consumo; engloba também a compreensão de produtos financeiros, poupança para o futuro, e investimentos. Aqueles que se dedicam a educar-se sobre finanças pessoais estão mais capacitados para construir um planeamento financeiro sólido, que considera não apenas a inflação, mas também outros fatores económicos e sociais.

 

Além disso, o estudo destaca a necessidade de promover a educação financeira desde tenra idade. Investir na capacidade financeira dos jovens poderá não só equipá-los com as ferramentas necessárias para uma vida financeira saudável, mas também contribuir para uma sociedade mais informada e resiliente às flutuações económicas.

 

Em conclusão, a literacia financeira emerge como um pilar fundamental para o fortalecimento da capacidade dos consumidores de enfrentar a volatilidade do mercado. Os resultados do estudo indicam que uma maior educação financeira poderá proporcionar não apenas benefícios individuais, mas também contribuições significativas para a estabilidade económica de uma sociedade. Sem dúvida, é uma chamada à ação para que se intensifiquem os esforços na formação financeira da população activa, mas também para as crianças e para os reformados e pensionistas.

 

Nesse sentido, a entidade patronal possui uma responsabilidade social fundamental na promoção da literacia financeira entre os seus trabalhadores, uma vez que este conhecimento é crucial para a gestão eficaz das finanças pessoais. Ao proporcionar formação nesta área, as empresas não só capacitam os seus colaboradores a tomarem decisões financeiras mais informadas, mas também contribuem para o bem-estar geral e a estabilidade económica da sua força de trabalho. Investir na literacia financeira é, portanto, uma estratégia vantajosa que pode resultar em maior produtividade e satisfação no trabalho, uma vez que os trabalhadores se sentirão mais seguros e preparados para enfrentar as incertezas económicas. Além disso, esta prática pode reforçar a cultura de responsabilidade e cuidado social da entidade patronal, elevando a sua reputação e atraindo talentos que valorizam um ambiente de trabalho que investe no desenvolvimento integral dos seus colaboradores.

 

João Paulo Pires

08
Ago24

DA JANELA E, Reforma Agrária (1977)

a falta da reforma agrária e a situação difícil em que vivem, com dificuldades para encontrar trabal

João Pires autor

DA JANELA E

reforma-agraria-conversa-trabalhadores-vinicultore

 

Resumo:

O texto é um relato de uma conversa entre quatro trabalhadores vinicultores, Raul, Carlos, Abílio e Zé Pedro, na região do Douro. Eles discutem sobre a falta da reforma agrária e a situação difícil em que vivem, com dificuldades para encontrar trabalho e subsistência. Eles criticam a política governamental e a falta de apoio aos pequenos lavradores e trabalhadores assalariados. Além disso, eles falam sobre as dificuldades para aceder a subsídios, assistência médica e educação na região. O texto também destaca a falta de investimentos na infraestrutura da região e a priorização das grandes empresas urbanas em detrimento das áreas rurais.

 

Texto completo:

Num determinado dia do mês de Outubro deste ano e tendo como palco a região duriense entretive-me durante alguns momentos a ouvir 4 Trabalhadores vinicultores precisamente quando estes cumpriam mais um dia de trabalho na época das vindimas.

 

Seriam 11 horas quando se concluiu a «4ª vez» e já só faltavam sete para o dia.

 

Despejado o cesto, trouxa ao ombro, carapuço pendurado o Raul de 56 anos tinha direito a uma reconfortante pausa de 5 minutos, para dosear o esforço e aguentar sem desfalecimento o resto da jorna. Todavia a sua missão era outra. Confrontado com o facto de na terra não haver suficiente mão-de-obra (já que os movimentos revolucionários das cidades não se solidarizam com os durienses) viu-se na emergência de suprir a falta de um homem; com pouca força, mas cheio de coragem e determinação. For então que, nesse lapso de tem po entre o despejar de um e a recepção de outro cesto o bom Raul, sem cultura livresca para além da Instrução primária tal como os demais começou por dizer:

 

- Mas quem se atreverá, neste país à deriva, de negar legitimidade à aspiração dos Trabalhadores desta região, quer trabalhem por sua ou por conta de outrém, de serem considerados cidadãos portugueses de parte inteira.

 

Oh, homem, nascemos na lama, e nela havemos de morrer! disse o Salvador. Ganhou fôlego o Raul para, de seguida voltar com esta:

 

- Não, meu amigo ou o abandono a que votaram os desprotegidos desta região atinge o seu limite ou o nosso suor ao longo dos 365 dias transforma-se no rejeitar firme de uma situação a que os responsáveis viram as costas.

- Se calhar você quer práqui a «Reforma Agrária»? interveio o Carlos

 

- Não troces Carlos. Nós precisávamos efectivamente de uma autêntica Reforma Agrária para esta região demarcada do Douro. Feita por indivíduos tecnicamente capazes, tendo em conta números reais e que a todos nós conviesse e convencesse Não é preciso uma Reforma Agrária apenas defendida pelos políticos, mas sim uma transformação profunda desta situação feita connosco para bem do país

Vê-se a sangria de «braços válidos» que emigrou para França, Bélgica, Luxemburgo e restantes países da Europa, que deixou apenas aqui meia dúzia de velhos e alguns rapazes que por aqui andam até qualquer dia.

 

Repara na dificuldade que os sócios da Cooperativa ainda sentem quer pelos atrasos nas liquidações das «novidades» já colhidas há 2 anos, quer em financiamentos para instalações indispensáveis, a taxas de juro favoráveis que demonstrassem o interesse dos governantes pelo sacrifício que pequenos lavradores como eu e trabalhadores assalariados como vós aqui suportamos dia-a-dia.

 

- Mas veja o Raul, que o Abílio Ranhau tem 70 anos toda a vida trabalhou na vinha para sustento dos seus 8 filhos toda a vida viveu em dificuldades e agora, porque não descontou 5 anos para a Casa do Povo não recebe um «chavo» da Previdência e mesmo sem mulher e com os filhos em Lisboa, anda aí como um farrapo cheio de reumatismo com fome que a todos nós mete dó.

 

Ora a Reforma Agrária devia ter em conta antes de tudo, estes casos. Porque o que mais interessa aos Trabalhadores não é o plano da Reforma Agrária, mas sim a prática que tivesse em conta os desfavorecidos desta zona abandonada. Não acha que devia ser assim, Raul? opinou o Zé Pedro.

 

- Ah, mas esqueceste-te de outra coisa. Então os subsídios por doença para as verdadeiras «baixas»? A assistência médica a pessoas de lugares distantes da Casa do Povo mais de 10 km? Sim que para se trabalhar com rendimentos devíamos ter a certeza de que a nossa saúde estava «okay»! Isto também era urgente não acham? Concluiu.

 

- Pois é amigos tudo isso e muito mais é que dá razão ao nosso direito de não aguentarmos o abandono actual por muito tempo. Vejam vocês que os caminhos apesar de estreitos, por sermos aldeia, são lamacentos porque as águas selvagens deterioram as paredes das vinhas e mesmo das casas de habitação. Só agora se vê possibilidade de termos algumas lâmpadas acesas durante a noite para bem comum, porque de outro modo não podíamos sair de casa durante a noite. Tem escola e com fontenário sem água, caminhos estreitos e quase intransitáveis, pagamentos atrasados nas Cooperativas e ser apenas fruto da teimosia dos lavradores a manutenção do cooperativismo não vos parece que são muitas coisas juntas de pouco custo que a nós faz muita falta? disse o Raul.

 

Entretanto novo cesto de 60 kg de uvas cai nas costas destes 4 homens que encosta acima, vão arrastando o «stock» suficiente para encher dois contentores de 6 000 kg de uvas, tal é a colheita do pequeno lavrador. Sr. Raul, da qual vai tirar o seu sustento depois das necessárias despesas para vingar a «novidade» durante todo o ano.

 

E quantas vezes o míldio, as chuvas torrenciais e os ventos roubam o pouco julgado muito bom deixando assim o lavrador sem meios para autosustentação da sua casa. Que seguro de colheitas existe? Que fomento agrário?

 

É fácil pois, concluir o panorama económico-social da região duriense.

 

Numa fase da nossa História em que as transformações económicas geram esquemas diferentes nos níveis de vida dos povos, são as regiões isoladas das grandes cidades as que mais traumatizadas se encontram 3 anos e meio depois do 25 de Abril de 74.

 

Aos órgãos municipais são dadas verbas tardiamente e a conta gotas.

 

Entretanto empresas inviáveis das cinturas industriais e ainda intervencionadas, imprensa estatizada só acessível aos grandes centros e (apenas) Cooperativas e UCPs do Alentejo consomem milhões de contos que só se conseguem com os empréstimos externos, ajudas várias e aumentos de Impostos directos e indirectos.

 

Como Trabalhador bancário tinha o dever de escrever estas linhas. De contar o que ouvi entre Trabalhadores, da minha terra, no nosso pais.

 

Num jornal de Trabalhadores é mister denunciar a realidade vivida fora do Porto, onde muitos de nós nascemos.

 

Quantas regiões terão os mesmos problemas? E quantos Trabalhadores se encontram assim desprotegidos? Será justo? Meditem os colegas.

 

Jerónimo Pereira sócio 10238

 

fonte: pág. 4, n.º 33, Nova Série OUTUBRO / NOVEMBRO / DEZEMBRO / 77, Boletim do Sindicato dos Bancários do Norte, A Nortada

05
Ago24

Mitra: O "Depósito" dos Miseráveis

Um Capítulo Sombrio da História Portuguesa

João Pires autor

O termo "mitra", muitas vezes usado de forma pejorativa na juventude, ressoa com um peso histórico que poucos conhecem. Em Portugal, a expressão "Portas-te mal, vais para a mitra" ecoa como uma ameaça para os mais novos, insinuando uma punição em forma de isolamento e afastamento social. Contudo, o significado de "mitra" vai além dessa conotação informativa e brincalhona: remete a um passado doloroso e esquecido, onde o "depósito" dos miseráveis refletia uma faceta cruel da nossa sociedade.

 

homens-adultos-sentados-no-exterior-farda.JPG

 

 

A História por Trás da Mitra

 

Historicamente, a "mitra" foi um albergue em Lisboa que se tornou um símbolo da marginalização e do abandono. A instituição, destinada a acolher os mais necessitados, transformou-se rapidamente numa espécie de prisão onde os miseráveis eram deixados à sua sorte. O espaço, supostamente destinado a oferecer abrigo, acaba por ser associado a um local de estigmatização e exclusão.

 

Essa ambivalência na função do espaço é refletida nas reminiscências das histórias contadas pelas gerações mais velhas, onde o nome "mitra" aparece frequentemente em contextos de reprovação e desdém, perpetuando a ideia de que ali estavam os que falharam na vida, os rejeitados da sociedade. Para muitos, a associação à miséria e ao abandono é inegável, e a história desse lugar serve como um lembrete do que acontece quando a sociedade decide ignorar as suas falhas, os seus subalternos.

 

Uma Nova Luz Sob a Análise Crítica

 

O recente documentário "Mitra, o 'depósito' dos miseráveis" ofereceu uma nova perspectiva sobre esse capítulo sombrio da história portuguesa, desenterrando relatos e testemunhos que reforçam a necessidade de uma reflexão crítica sobre o tratamento dado aos mais vulneráveis. O documentário lança luz sobre a condição humana dos que foram forçados a viver à margem, questionando a forma como perpetuamos ciclos de exclusão nas nossas comunidades.

 

As expressões populares que envolvem o termo "mitra" revelam não apenas um insulto, mas a continuidade de uma linguagem que perpetua o ciclo de estigmatização. Otimistas e críticos se perguntam se o uso cotidiano de "vais para a mitra" não serve, afinal, como um espelho da fraca estrutura social que falha em acolher e apoiar aqueles que se encontram em situações de vulnerabilidade.

 

Um Apelo à Empatia e à Compreensão

 

Olhando para o passado, é essencial que a sociedade portuguesa se questione a respeito das suas próprias atitudes. A repetição de estigmas e a banalização da miséria, refletidas em expressões como "Portas-te mal, vais para a mitra", precisam ser desconstruídas. Temos de encontrar formas mais construtivas de abordar a pobreza e a exclusão, não apenas reconhecendo a sua presença, mas também ajudando na sua eliminação.

 

 

O "mitra" não é apenas um nome ou uma alcunha; é um sussurro da nossa história que merece ser ouvido e compreendido. Deve servir como um aviso e uma chamada de atenção para todos nós. Em vez de relegar os que estão em dificuldade a uma nova "mitra" emocional ou social, somos desafiados a construir um futuro onde a compaixão e a empatia prevaleçam. E, assim, talvez possamos verdadeiramente deixar para trás o estigma e acolher a humanidade em todos os seus matizes.

 

João Pires autor

01
Ago24

Editorial da Nortada de Out/Nov/Dez 1977

razões pelas quais os sindicatos não têm conseguido alcançar um novo contrato coletivo de trabalho (

João Pires autor

sindicatos-contrato-coletivo-de-trabalho-cct-sindi

resumo:

O presente texto é um discurso que questiona as razões pelas quais os sindicatos não têm conseguido alcançar um novo contrato coletivo de trabalho (CCT) e critica a direção do sindicato Centro por não ter apresentado uma proposta clara e unificada para as negociações. O autor argumenta que a direção do Centro se comportou de forma dividida e oportunista, ao apresentar uma «alternativa» para negociar com o empregador sem consultar previamente as outras direções sindicais e ao rejeitar a proposta aprovada no Norte.

 

O autor também critica a direção do Sul e Ilhas por não ter defendido a posição aprovada pelas Comissões Sindicais daquela área e por ter emitido um comunicado partidário em vez de apoiar a unidade sindical. O texto conclui que a luta sindical é importante para defender os direitos dos trabalhadores e que é necessário unir esforços para alcançar uma democracia real no país.

 

A linguagem utilizada é forte e crítica, com termos como "atormenta", "muita gente", "pseudo-democráticas", "destruir", "falsa" e "oportunistas" para descrever os métodos da direção do sindicato Centro. O autor também utiliza termos como "democracia" e "unidade" para enfatizar a importância da luta sindical e da unidade dos trabalhadores.

 

texto completo:

Todos se interrogam sobre as razões por que ainda não temos um novo CCT

 

Alguns, compreensivelmente, chegam a acusar-nos de ineficácia e mesmo de incapacidade negocial

 

Será compreensível tal estado devido a que o tempo tem passado e a conclusão do «acto» ainda se vislumbra difícil.

 

Será compreensível pelo facto de se manter gradualmente uma situação de agravamento do custo de vida e, como tal, de diminuição do poder de compra dos Trabalhadores.

 

Tudo é compreensível, mas.

 

Mas a realidade é bem diferente.

 

Por que será que os Trabalhadores Bancários do Norte optaram por uma posição negocial da Carreira Profissional e nas outras áreas sindicais tal não se verificou?

 

Por que será que a Direcção do Centro apresentou aos Trabalhadores em A. G. uma «alternativa» para negociar com a C. E. C. e não lhes disse que essa alternativa VISAVA PREPARAR A ARBITRAGEM que tem defendido em reuniões com as outras duas Direcções?

 

Por que será que a «alternativa» apresentada pela Direcção do Centro não foi apresentada às outras duas Direcções por aquela, antes afirmando, inclusive, não ter qualquer Proposta a apresentar à sua A. G. pelo que se limitaria a DEIXÁ-LA DECIDIR?

 

Por que será que a Direcção do Centro se recusou a ler e pôr à discussão, na sua A. G., a proposta aprovada no Norte e adoptou e apresentou, como sua, a proposta aprovada pelas Comissões Sindicais do Sul e Ilhas?

 

Por que será que ANTES DA A. G. do Sul e Ilhas saiu um comunicado PARTIDÁRIO a defender a posição aprovada pelas Comissões Sindicais daquela área?

 

Por que será que a posição da Direcção do Sul e Ilhas (igual à do Norte) foi rejeitada pela sua A. Geral?

 

BANCÁRIOS:

 

A tal opção reformista do Sindicalismo Democrático, atormenta «muita gente».

 

Não é em vão, que as forças anti-democráticas e as pseudo-democráticas sedentas do domínio absoluto dos destinos deste país, substituindo-se a um passado que dizem ter combatido mas que, tanto e tão bem, imitam, tudo fazem para denegrir e boicotar o trabalho consciente e realista desenvolvido por aqueles que apostam na possibilidade de se alcançar uma Democracia Real no nosso país.

 

Tem-se assistido a uma perfeita congregação de esforços para destruir, no seio de uma Classe evoluída e, maduramente consciente, a opção que ela clara, realística e inequívocamente, assumiu.

 

As tuas preocupações não são menos que as nossas, até porque, sabemos que a tua «revolta é aquela que muitas vezes tentamos suster, pelo que resta-nos ter a coragem e a vontade de saber, através do sacrifício momentâneo, porque provisório, DAR UMA RESPOSTA CABAL A ESSES PROFETAS DE UTOPIAS REVOLUCIONARESCAS, de consequências visíveis, como tudo que é falso e oportunista, mas perfeitamente qualificável

 

Unir esforços, mobilizar a classe de Norte a Sul, incluindo as Ilhas, será um esforço que a Todos e a cada um cabe no momento actual.

 

Acabemos com os Destruidores do Sindicalismo Democrático.

 

Saibamos dar uma resposta enérgica aos que querem dominar os Sindicatos para os pôr ao serviço de Governos ou forças totalitárias.

 

A Democracia merece de todos um esforço de mobilização; só unidos nesse ideal poderemos responder cabalmente e ser fortes e coesos nos objectivos a alcançar. A RAZÃO VENCERÁ E COM ELA A DEMOCRACIA.

 

A DIRECÇÃO

fonte: pág. 1, n.º 33, Nova Série OUTUBRO / NOVEMBRO / DEZEMBRO / 77, Boletim do Sindicato dos Bancários do Norte, A Nortada

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D